.
adapte-me à uma cama boa.
na madrugada, vagalume. ainda tremo, ainda lembro exatamente
da sensação. caralho, não queria escrever isso de forma redonda:
queria expor cada canto do que senti agora, do que continuo
sentindo, de tudo isso que está explodindo em mim. mas é
desconhecido demais.me desconheço demais. sinto falta demais
e não entendo essas coisas.
dormi quase o dia todo. 15mg no total e agora que é noite, começo a
me sentir disposto a encarar um dia inteiro, mas é noite e não quero
sair. talvez reler alguma coisa -já que estou sem livros novos-, talvez
esperar você realmente me convidar: eis aqui um assunto em que
podia parar por muitos minutos, falando sobre muitas dores, muitas
angústias, nós na garganta, choramingos secos no caminho de volta
da faculdade e todas essas coisas que sentia por ti em silêncio.
porra, eu queria te falar tanta coisa.a gente continua, mas a sensação
é que tu realmente não sabe o que eu sinto de verdade, entende?
a noite de sábado foi boa, mas to tão cansado. eu mesmo me
surpreendi por ter ido, por resolver amanhecer fora de casa:
fazia tantotempo. acabei vacilando, sei. é que depois que o sol
bate na cara e a cerveja começa a pesar com o cheiro de cigarro
nas mãos, a vontade é de estar em casa no mesmo instante, sem
espera, sem viagem, apenas estar, apenas deitar; mas na real,
acho que quero tudo isso novamente. contar dinheiro, não me
preocupar com o tempo, se preciso terminar de ler algum livro,
acordar, ver algum episódio ou ficar com alguém que não vale.
algumas noites demonstram exatamente o que somos em partes
que só nós compreendemos.
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marco
às
20:41
o pôbrema é meu.
nego não pode mais fumar numa boa sentado num banco de
praça sem ser recriminado por uma tia que passa falando
sobre a juventude estragar sua saúde.
se o filho-da-prima-da-sua-amiga tem dezenone anos e um
salário de dois mil por mês, bom pra ele, minha senhora. trabalho
meio turno e não tenho financiamento interminável, gasolina ou
conta de luz pra pagar; assim, posso pagar a mensalidade da
academia e ficar em casa comendo pipoca e assistindo sessão da
tarde da globo sem nenhum remorso. estudo, achei que isso bastava.
lembro que qualquer cadastro de email tem 'estudante' como
opção de profissão. e comparações são toscas e humilhantes.
prefiro o silêncio.
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marco
às
15:04
controlando essas coisas que não sentia mais. tentando, claro.
acho bom quando as coisas se ajeitam e mesmo sem sentido,
ficam mais claras. mas tem uma dor que não me deixa organizar
o que quero falar agora,um cansaço seco; mesmo assim, to indo
ali participar um pouco das coisas, das coisas que não me
completam -me esvaziam as vezes até- mas que não consigo largar.
e torcer pra que as aulas não sejam adiadas novamente, porque
mais duas semanas aqui sem ter o que fazer é crueldade (?)
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marco
às
18:08
desenhar ainda tem o mesmo gosto. gosto enferrujado
de encontrar abrigo na busca da perfeição nesses traços
sem utilidade. não é uma explosão no encontro, como antes
quando ficava sem sono antes de terminar as sombras,
antes de terminá-lo todo, agora só é lembrança: resto de habilidade
misturada com uma nostalgia e algumas músicas soltas
pelo corredor. ela gosta da mesa torta e eu dispenso algumas
tranquilidades enquanto chove mais um pouco. tão devagar,
tão devagar, tão devagar pra me arrepender em algumas
horas e já não poder agarrar um travesseiro.
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marco
às
12:23
fica tudo assim, como se eu tivesse fazendo a merda sozinho.
ninguém comenta sobre a parte dos outros, como se a tentação
estivesse aqui e quem, deliberadamente sai à procura dela,
pela simples condição de não fazer parte daquele mundo, fica
de fora das opiniões por simplesmente não ser aquilo: apenas
querem seus minutos de participação, de satisfação egoísta.
to cagando pra esses comentários, olhares ou opiniões, também
tenho minhas satisfações clandestinas sem entregar toda a
tigela do meu açucar. e o que deixa o café amargo é ver que tudo
tem sempre mais parte dos outros e. fica tudo assim, como se
eu tivesse fazendo a merda sozinho. e o que estufa o estômago
é ver que os créditos nunca são meus, mesmo que -fique surpreso!-
tenha feito as coisas da maneira correta. a chuva pára. dormir logo
por causa de horário de almoço do dia dos pais. garagalhando aqui:
o almoço só tem avô e uma obrigação sacana de ligações hipócritas.
a noite segue tendências. uma música repetida que gosto tanto:
" sunday morning, we'll soon be out on the boulevards.../
...i'm all about you, you're all about me, we're all about each other/
you don't have to tell, 'cause I know so well what we are all after..."
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marco
às
01:00
eu sabia que aconteceria novamente, certo? certo. não me
sinto mais à vontade pra contrariar essas nossas conversas
de sábado. eu sabia que aconteceria novamente e, mesmo
não pensando nisso tudo, fico olhando pra mesa, pra moeda,
pro livro que tento ler com sacrificio; mas esse silêncio novo não
enlouquece, parece tão normal, não sei, dá a sensação de que
tenta me ensinar alguma coisa. essa coisa insiste em ensinar e
eu insisto em observar e querer outras coisas, querer que esse
silêncio me irrite, querer me levantar e não aceitar, quebrar
todas as notas, todas os pratos, todos vocês. não faz diferença
programar ou não os horários das refeições:no fim tudo vira.
você sabe bem. sinto falta das minhas mãos que prometiam,
quando o sol me era estranho e a chuva me trazia palavras.
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marco
às
20:15
não, hoje não. acho que nem amanhã. lembrei que passei da
fase de organizar meu tempo de acordo com os teus
tempinhos. continue me ligando com voltinhas e continuarei
comendo com música. tenho todas essas páginas pra mastigar,
sentir o gosto, a textura, mas não engolir.
tenho todas essas horas pra enrolar com você e não dormir
com você
sempre me rendo, mesmo sentindo que o dinheiro esta acabando.
sempre termino, mesmo sabendo que não podia ter vindo; e
esse poder é pura invenção da minha tentativa de ser só assim.
de não querer ir mais. ser menos. fazer outro. de ser assim só.
botei na balança, você não pesou.
botei na peneira e você não passou.
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marco
às
22:09
estou aqui, sim. fiz quase todas as coisas que me pediram, passei
em todos os lugares, dividi todos os pedaços, fingi não ver todas
as pessoas que não queria ver e ainda não peguei no sono. ou o
sono não me pegou. um belo dia VOU resolver mudar e arranjar
uma vida vulgar, haha. essas músicas não me agradam mais,
nenhuma delas. vão repetindo sem parar; canto todas elas até a
metade, quando lembro que não me agradam mais, então vou
trocando. isso significa que acostumamos tanto com as coisas que
não gostamos mais, que esquecemos que já não gostamos delas,
certo?
vejo escudos amarelos na parede: imagino-os nos muros, postes,
jornais, espalhados pela cidade como propaganda barata de produto
inútil que todos querem desesperadamente comprar; mas eu acordo
e digo que não estão à venda e a propaganda continua lá. faz tanto
sentido pra mim... e mesmo assim, insisto em dizer que não me
entendo,quando obviamente só eu mesmo posso compreender
essas palavrasque se atropelam, como a dispersão de uma onda sobre
a outra, quebrando sem se acabar.
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marco
às
14:54
não sou bom em expressar o que se passa aqui dentro. as
pessoas devem achar que sou nada, que sou vulto, presença,
fumaça perto das janelas, platéia sem som. o primeiro poema
feito pra mim, ah, lindo lindo! pode até ser os teus votos no
casamento em Las Vegas, hahaha. foi tão bom te reencontrar:
no momento certo. estamos melhores do que já fomos, mas com
aqueles mesmos pontos claros de dor boa na alma. na medida da
minha gaveta: contigo eu posso ser sem me antecipar, me
sinto entendido sem precisar te entregar nada além dos
olhares e sorrisos que trocamos. tu me dá essa sensação tri
boa de pessoa querida na minha vida, me fazendo bem.
bjos, batatas fritas assassinas e cervejas pro casamento, rs.
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marco
às
13:49
caí da escada e rolei três andares abaixo: não passei. tinha
tanta certeza que seria aprovado, que foi complicado me
acalmar e não responder 'obrigado por NADA' pro examinador
quando ele falou lenta e sinistramente com voz de quem está
atrás do ventilador 'infelizmente você reprovou'. claro, não
adianta bosta nenhuma eu ficar pensando demais, mas é incontrolável.
pensamentos são invasores, parasitas. não é o fim. fecho os olhos
e lembro, mas não é o fim. hoje já ouvi Chelsea Girls 917349847
vezes e não quero dormir. vou fazer de novo. pra quê eu preciso
disso, pra quê?
[e pela minha lei, a gente é obrigado a ser feliz] -Chico Buarque
ficar em pé na porta e sentir o vento logo depois de acordar
traz uma sensação tão boa por alguns segundos, que é possível
esquecer de tudo tudo tudo, ou quase tudo. logo os olhos ardem,
não tenho pernas e as costas querem ir ao chão, mas não tem
jeito: a gente é obrigado a continuar, mesmo que não se sinta
feliz. o dia todo pela frente, falo assim, como se os meus dias
parecessem dias, como se minhas cinco horas não parecessem
dez e como se realizar as vontades de agora eliminassem as que
virão em seguida. queria ser cativante, ter menos silêncio na
face e uma altivez inexistente em meu corpo. mas ah, é assim:
ossos, campos, contas e planos que se dissolvem até o fim do dia.
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marco
às
12:54
dois pesos: duas medidas. era um atrás do outro, cada
segundo me carregando pra escuridão de um sono inquieto.
não estava dormindo nem lembrava de respirar.
quem é você? quem é VOCÊ? o telefone toca.
[oi]
(oi)
[te acordei?]
(sim)
[humm]
(me acordou)
[foi mal, que ta fazendo?]
(dormindo! tava, né...)
[quer sair?]
(oi?)
[quer sair c-o-m-i-g-o?]
(agora?)
[é]
(vamos onde?)
[pro meu mundo.]
(só vou se teu mundo tiver cama e aquecedor)
[meu mundo tem sexo]
(em 15 minutos)
flertamos loucamente pela segunda vez em uma semana.
vinho, miró, cartas, um beijo quando estou pensando em
ir embora. não solta a minha mão. não agora, finjo tudo
até amanhecer, como se tivesse dormindo a noite inteira.
lavo tua louça e organizo meu caos. tenho 3 dias inteiros e
o medo de não ter confiança por não ter certeza. fim de noite
em apartamento frio e desconhecido. sem dor, sem pensar:
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marco
às
21:00
estou sem pernas hoje. saldo negativo, sem socorro,
tantas coisas e nenhuma droga que possa resolver
todas. tinha uma calça dentro da outra como quem
usa duas camisetas, engraçado. estou sem pernas
hoje, sem comprimidos, sem sono e com muita vontade
de dormir. eu preciso dormir. eu preciso passar, preciso
ter pernas amanhã e passar nessa merda.
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marco
às
20:54
odeio essas perguntas prontas que me lembram como
as coisas não estão como imaginava que estariam.
certo que não. gosto dos jogos, desses detritos no fim
da noite, assim, logo antes de dormir sentir tudo que
ainda estará ali quando acordar. as vezes sinto ter certeza
de que conseguiria continuar por mim mesmo, assim, sem
a ajuda de ninguém mais. mas a noite vai indo agora sem
tuas tramas e exageros e, de certa forma, sinto falta de
tudo isso. misturo tudo o que penso e já não sei o que é
prioridade, não sei se dou meu nome ou se apenas espero
cantando e vendo o tempo passar.
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marco
às
22:11
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marco
às
01:18
ela diz que as coisas que podemos fazer estão aqui.fala sobre
cores e que me ensinará a cantar, mas desisto com essa cara
amassada no espelho depois de dormir a tarde toda novamente.
procuro incessantemente por músicas novas, tentando preencher
alguma coisa, essas músicas de sempre já não ajudam mais. é,
conversamos sobre as coisas e não tenho certeza de como tudo
foi acontecendo. concluimos juntos que devemos fazer tudo o mais
rapidamente e que agora, com quase 20 anos, perceber que o tempo
corre e que tudo o que queria ter feito ainda está nos meus planos
pra logo(rápido rápido) mas que a idade -provavelmente- não os
acompanharão.ter 30 anos e só ter feito as coisas que era possível
fazer? nãão: MEDO.e novamente esperar um semestre, e no final
dele talvez ser possívelfazer alguma coisa por mim mesmo ou agora,
com a coragem que aindanão tenho, pegar minhas mochilas, largar
tudo e ver que não era bema assim. whatever, espero mais um pouco,
até não ter dúvida.
Postado por
marco
às
20:20