perdi a vontade de estar no que você me diz, de ser condizente com o que pensas de mim, já que tudo que pensa está de acordo com o que estou ou não proporcionando. amor é tênue, sim, mas não uma desculpa pra odiar o outro. talvez tudo estivesse melhor se eu pudesse ter certeza de que a música foi mesmo pra mim e que eu sentisse ser só isso até o momento. mas não vou reclamar:
Wouldn't it be nice if we could wake up
In the morning when the day is new
And after having spent the day together
Hold each other close the whole night through
You know it seems the more we talk about it
It only makes it worse to live without it
But let's talk about it
Wouldn't it be nice Wouldn't it be nice (the Beach Boys)
sabe quando você enche um balão e não pára mais de soprar mesmo vendo que ele pode estourar, e que vai estourar; mesmo assim você continua soprando e soprando e apertando os olhos só esperando o estouro?
pois é. sei bem a cor do balão, ele já vai ficando transparente, mas não consigo parar de soprar.
e certas coisas se colocam no lugar, mesmo que você não tenha guardado espaço para elas na minha vida. não reconheço o caos que sempre fui: estou aqui e quase tudo parece tão organizado e eu nem estou reclamando ou jogando papéis fora ou abrindo gavetas ou fumando compulsivamente (mentira, estou sim) ou desenhando em paredes ou escrevendo tanto que o bloco de notas pede um descanso. e quando eu falava em sentir-se bem, já nem lembrava como era. Claro, são tantas coisas, talvez o que chateia seja até maior do que faz bem, mas o que faz bem está me mudando assustadoramente. quero me reconhecer, sim, mas sem perder tantas construções e possibilidades.
poxa, não vou escrever pra não ser mal interpretado, mas: TUDO LINDO. esperando mesmo que dê certo, mesmo que as situações indiquem o contrário, coisa massa: a pena balança de saudade.
I know you hate to be impressed with someone else (other than yourself)/ but you know trying to hold back on being an asshole helps
Fear of sleep Fear of sleep Fear of sleep Fear of sleep fear of sleep - The Strokes
escrevi tanta coisa que queria dizer pra tanta gente. tanta coisa que queria que eu mesmo percebesse e internalizasse. mas não vale mais a pena falar as mesmas coisas para as mesmas pessoas que vão acabar por se contradizer e achar que só você magoa elas e não o contrário. quando o contrário é o que mais tem acontecido. não espero por ninguém mais.
whatever colors you have in your mind
I'll show them to you and you'll see them shine (Bob dylan)
I could sleep forever, I could sleep forever, I could sleep forever (the Dandy Warhols)
eu quero tanto. e tanto tento não dizer que quero por ser tão. por ter sido tão bom. quero tanto, que tenho medo de que não seja assim tão, quando realmente for, sabe. talvez seja preciptação mas dividir clipes é tão bom quanto morder.
pessoas são tão diferentes fisicamente, mas todas chegam ao mesmo lugar numa relação. ou nas relações que compreendo. toda a vez que você se abrir pra alguém e esse alguém parecer compreensivo e amigável: um dia a compreensão acabará e tudo o que antes era relação se tornará conversa alheia. e toda a vez que você ver a possibilidade de conhecer alguém que pareça tão incrível em beijo, em gostos e personalidade, certamente será doloroso de uma forma ou de outra. ou se gosta demais, ou só podem se ver de menos, ou é complicado demais, ou é preso demais, ou é aberto demais. pessoas nunca estão satisfeitas com os relacionamentos porque aprendem a cegar-se aos benefícios do próprio amor e enxergar em relacionamentos alheios o que quer para si. mas os outros nunca somos nós, o que serve para eles não é do nosso molde, o que os faz feliz talvez seja o que mais detestamos viver. enfim, desista de procurar cascas e veja o tamanho do interior do que está vivendo: a vida acontece agora e não no que está por vir.
domingo, 17 de outubro de 2010
tenho tantas coisas a dizer e ao mesmo tempo tem tantas pessoas em silêncio ao meu redor que já perco o foco e a vontade de escrever. quando eu disse que sabia o que ia acontecer, não foi pra fingir qualquer tipo de controle ou experiência: eu disse, e aconteceu. mesmo que eu tenha tentado fingir pra mim mesmo que não pensava naquilo, numa tentativa de sabotar minhas vontades e meus pensamentos sobre o futuro, toda a coisa foi diminuindo tão rápido que não consegui entender direito. acabo por querer demais quando o outro lado preferia que eu queresse menos. porque cada vez mais eu percebo que não é uma questão de afinidades e atrações: as pessoas querem o que não podem ter ou quem parecer estar desistindo. uma noite é massa. pensar demais em passar disso parece babaquice enorme e é aí que certas afinidades podem ser maiores que o desejo de correr atrás. whatever. é tarde, perdi uma hora da minha madrugada (e do sono!), plantei três árvores, comprei um brinquedo novo, mesmo que não receba ligações (indireta para me ligarem mais, reflitam), bebi pouco, fumei demais, assisti menos, ouvi as músicas que mais ajudam, esperei certas coisas que decidi parar de procurar e deixar acontecerem, bebi de novo e jantei pudim lendo indiretas desnecessárias de pessoas queridas. devo concluir que noites de sábado sóbrias e solitárias não terminam bem.
“But no matter how much of a freak you end up being, chances are there’s still someone out there for you. Unless of course, they’ve already moved on. Because when it comes to love, even freaks can’t wait forever.”
mudar é difícil, mesmo que seja a coisa que você mais querno momento. querer demais sempre ajuda, te guia, te encoraja e, depois de vários tombos, te ensina a querer commenos intensidade da próxima vez. dá vontade de querer tudo, inteiro, a todo tempo, tipo agora. mas nem está aqui,talvez nem esteja pra mim como as vezes parece estar
voltei a visualizar demais e logo vem a sensação de branco. eu queria tanto, mas agora percebo que não paro de fugir do vazio. seja enxergando coisas em alguém ou planejando coisas futuras que não terei coragem de fazer.basta aceitar a situação, nem parece tão difícil assim, só falta conseguir.
a gente passa por tantas situações que chega o momento em que aprendemos a conviver com os finais. mas levar os finais numa boa, acaba interferindo nos inicios e nos meios e nos processos do término. nos acostumamos a não sofrer por alguém que é apenas mais um alguém, dos tantos que provavelmente aparecerão. não que soframos menos a cada alguém, e também não nos curamos com mais rapidez, apenas aceitamos de forma menos revoltosa. até que passa. as vezes demora, as vezes isso requer cigarros demais, garrafas vazias proporcionais ao quanto se chorou, mas passa. e fica aquela sensação de que não saberemos lidar novamente com qualquer novo alguém: e saímos felizes por não querer mais e já ter desenvolvido o desapego. aham, desapegado. de quem mesmo? pois é, esquecemos do fato de que ainda existem muitas outras pessoas e que alguma delas vai ser teu próximo alguém e você vai querer saber tudo tudo porque vocês gostam das mesmas coisas e os lábios são macios e apertar é melhor do que ser só conhecido do alguém. mas é tudo tão novo, e você lembra que antes o anterior era novo também, se estendeu por meses e acabou doendo e demorando pra cicatrizar. quanto tempo precisamos estar com alguém pra achar tão legal a ponto de querer que tudo dê certo dessa vez? pois é, não existe tempo certo. daí dá medo. não pode acontecer tão rápido, não posso querer me mostrar tão rápido, enviar músicas e compartilhar gostos sem saber que a pessoa realmente quer receber. parei. só quero, mas vou esperar quererem também. comecei do ponto firme que foi a conversa e terminei falando do ponto incerto em que me encontro cheio de vontades de alguém, já que até agora não tinha encontrado alguém com quem tanta coisa fechasse. pode ser pegadinha do malandro, fiquem ligadinhos.
temos uma pequena (ok, enorme) capacidade de sentir prazer em ficarmos sozinhos; não por um momento ou uma hora ou por um dia, sozinhos como situação. quando decidimos nossa situação, enquanto estamos comparando os beneficios e merdas que envolvem tudo, não podemos prever o tamanho da dor que virá. ela é meio silenciosa no inicio, lá quando ainda nçai caiu a ficha, quanto nada começou a fazer sentido e tomamos rumos diferentes pra não precisar ficar topando por aí. ninguém sente nada ou é simples e mais facil evitar o sentimento porque não estamos vendo aquilo que antes estava ali e que agora já faz falta e constrói o vazio.
Quando estamos diante de uma possibilidade de relacionamento começamos a nos questionar se é a pessoa certa ou não. Começamos a pensar nas afinidades, nas diferenças, no que o outro tem a oferecer o no que temos a oferecer para o outro. As vezes não pensamos em nada, em nenhuma consequencia, em futuro algum porque, porra, sentir-se bem na presença do outro ultrapassa todos os raciocínios e vida e futuro e presente são feitos de agora, de ser, de estar e não de respostas e exposições sobre gostos, músicas preferidas e perspectivas de vida. Nesta mistura de estar e querer conhecer, os dois ficam cada vez mais próximos. Próximos dos problemas, da rotina, dos sorrisos gratuitos, das respostas insipidas, da vontade de beber, da vontade de dormir e da vontade de se ter. As vezes o cálculo racional de escolher não funciona, e a escolha afetiva acontece sozinha, sem que possamos comandar. Algumas pessoas, apesar de se entregaremà suas escolhas afetivas, continuam dando murros em blocos de concreto, querendo muito mais do que sentir-se bem, precisam saber para onde estão indo; é inseguro, perigoso ou doloroso estar numa relação que é open season com nenhuma previsão de novas temporadas. a idade já se torna desnecessária, ninguém muda pra parecer mais livre, ninguém começa a beber por ter cansado de ser certinho, nem para de beber por ter cansado de ser ele mesmo. Nas expectativas amorosas, ou nos falta amor e somos desprezados, ou temos amor demais e somos sufocados. Inventamos inúmeras situações que nos irritem pra terminar com os motivos de gostar do outro; nos agarramos em ilusões, em avatares, em relações que gostaríamos de ter, e assim, achamos que o outro já não é tão certo. O raciocinio parece estar tão aguçado, mas na verdade nunca falhou tanto. Tentamos fingir que o lado afetivo está limpo, claro e vazio como antes da pessoa ter aparecido, afinal, foi tudo errado, certo?
Ninguém mais está satisfeito: reclamam por terem sido desprezados; abandonam o barco por terem medo de que afunde mais uma vez, tomando um controle ilusório do próprio rumo. São os mesmos que medem as pessoas por imagem, aparência, por aquilo que podem ganhar com elas, com o que os outros irão pensar se estiverem com elas, com o que poderá fazer com elas, quase criando um script perfeito pra uma relação que mal começou. Com certeza, todos estão cheios de medo de gostar do outro. de gostar demais. de gostar e não ser correspondido. de gostar e ser otário. Mas o medo fundamental é o do simples gostar. Não se pode gostar sem receber alguma coisa, não se podegostar se não tiver controle de toda a relação. controle não é saber lidar. e saber lidar não é gostar do outro com sinceridade. O gostar, que aqui usei para não precisar escrever amor e não parecer tão profundo (dramático?), talvez exija alguém que tenha coragem suficiente para seguir gostando sem ter medo de que o outro não goste. alguém caminhe pelo desconhecido da mesma forma que comanda seus próprios desejos. Alguém que saiba gostar depois de perder, já que as relações se renovam a todo momento, mas as pessoas não se vão, a essência não é passageira: continuarão sendo as mesmas que nos faziam bem antes, mas sem as amarguras de querer ser apenas um. Alguém que suporte a angústia de não se deixar enquadrar em nenhum lugar imaginário, e que assim permita a quem está ao seu lado a possibilidade apenas viver aquele momento, sem nada mais esperar. Nunca estive tão reflexivo (estive?) como nos últimos dias. Está tudo em branco e nem sei como preencher ou me comportar. É certo sim. Não sei mais falar quando tenho vontade, deixo as pessoas falarem assim na minha frente e eu só espero que tudo termine. que o dia termine, que eu possa emborae que eu consiga limpar todo esse pó que se formou sem razão, tentando resgatar desenhos, tentando descobrir até onde pude ser vazio e até onde conseguirei entender certas atitudes.
but that joke isn't funny anymore /it's too close to home
and it's too near the bone/ more than you'll ever know. The Smiths, That joke isn't funny anymore
e quando, sem percerber, estava me esvaziando de ti, vem você pra me oferecer mais. pra me lembrar das tardes inteiras ouvindo Lou Reed com a eterna indecisão pelo sabor do pastel. o cimento era queimado, a cortina era um cobertor e o futuro não importava tanto. importou tão pouco que desapareceu, mesmo que quiséssemos ter tido um. tivemos por um tempo. até um tempo em que o tempo e a vontade diminuiram. e daí, no meio da chuva e de faróis, vem você pra relembrar mais, querendo preencher um copo já quase vazio. pouco soube o que dizer, até não havia o que. tenta me resgatar com Caetano e com
teimo em desacreditar que passaram-se dois anos desde os pastéis, um ano desde a ida até a farmácia, outro ano desde a casa nova e os quadros de lata, 8 meses da espera nas cadeiras, das escadas de amigo, da coisa mais rápida e mais louca que já passou. as vezes eu queria ser exatamente essa coisa que já passou.
talvez isso seja um aviso um pedido uma despedida. outra despedida? penso. não falo nada, não quero mostrar que penso que qualquer coisa esteja se repetindo. AGORA nada está se repetindo.nem sei. talvez nada seja. talvez nada tenha sido. porque tenho certeza que não mais será. mas não posso dizer, tão pouco admitir que será mais fácil esquecer e sorrir. o dia não será o mesmo amanhã, mesmo que continue chovendo. eu só queria estudar e dormir e dormir. e agora tudo isso. e agora mais nada. e agora não sei o que me apavora mais, depois de todo esse tempo que renasceu em uma ligação e uma visita. você ainda nem sabe se vai ficar. e eu tenho certeza que não quero que fique.
This is my final fit, my final bellyach (...) No Surprises - Radiohead
as vezes percebemos que pessoas não querem pessoas ou relacionamentos, elas só querem encontrar possibilidades
possibilidades de ter aquele drama bonitinho de seriado
possibilidades de pelo o menos uma vez sentir o amargo no peito e reclamar dele, mas no fundo sentir que ele faz a vida pulsar e que sem tudo isso o resto é só o resto, porque quando ele pulsa, ninguém importa. nada importa. tudo importa. agora tudo importa, tudo pesa. nada se encaixa, mas tudo parece ter sido premeditado. eu, que vivia me afogando em "se tivesse" ou "se não tivesse", percebi que minhas atitudes são pequenas ao poder que as pessoas tem de modificar tua confiança e tua preocupação e teu querer bem.
o que não importa mais é resolver tudo, pois essas coisas feitas não tem resolução. e pensar que podem ter tantos culpados, tantos "se", tantos momentos em que pessoas deveriam ter freiado, se controlado ou só terem cuidado dos sentimentos e fatos que lhe dizem respeito. me sinto no centro de uma sala fria, rodeado de crianças que ainda não tiveram o momento de crescer e ter seus próprios relacionamentos, que não percebem as coisas fódas da vida e que não conseguem manter uma atitude linear e congruente pq no fundo acham que sentem muito mais do que sentem de verdade. não é demais querer certa segurança, menos instabilidade e controle. coisa de adulto que nem tão velho precisa ser, mas também não precisa ser menininha frágil se perdendo histéricamente. no fim, passei um dia liso, tentando não pensar em nada disso. não vejo horizonte, nem futuro, nem coisa próxima e preciso -só uma vez - me ver tão meu que.
eu acredito em ti. assim, sincero ou sem piscar. eu queria só dizer eei, pergunte-me como eu me sinto ao perceber que tudo isso é verdadeiro, mas agora eu só estou tentando fazer com que tudo se transforme em verdade. é nisso que estou acreditanto. não podemos voltar, mas deixar como está. que caminhe, que seja. sei que sobre ontem, jamais me senti tao à vontade. aprendi a não querer mais ser o centro enquanto não tiver certeza de que o meu está no lugar. não quero machucar, e o único jeito de evitar isso é ficando como/onde estou. perdi principios e coisas que pensava serem certas. não os quero mais. agora só tenho perguntas, agora só quero saber pra onde foram tantas pessoas, pq já não sinto nada pela familia e quero ser alguém assim tão cheio de mim. nos últimos dias a melhor sensação que tive foi não me sentir sozinho enquanto estava sozinho. durou pouco tempo, meio cigarro talvez, mas foi grande. as últimas conversas não tem sido de esperança, mas de fuga. cada vez mais percebo que apesar de ter todos esses caminhos, o que seguirei será o mesmo que já foi traçado e pelo qual venho caminhando. se não acredito que tudo possa ser como quero, qual é a força que me movimenta? aquela de que a qualquer momento tudo pode mudar ou aquela que não deixa a engrenagem parar por maior que seja a merda envolvida?
acho que sempre fico com a primeira opção. todas as minhas visões são dramáticas, todas funcionarão e todas levarão um bom tempo para surtirem efeito. até lá só tenho poucas bandas e uma vontade de me preparar que nada tem a ver com estudar. só tenho questionamentos sobre o tempo e a certeza.
as vezes basta apenas uma estrela para salvar a noite inteira. sinto medo. talvez eu tenha perdido minha maior habilidade, pelo menos a que eu tinha certeza que conseguia controlar. agora tudo é flácido e eu comecei a olhar mais para trás do que para o que estou esperando.