segunda-feira, 10 de agosto de 2009

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desenhar ainda tem o mesmo gosto. gosto enferrujado

de encontrar abrigo na busca da perfeição nesses traços
sem utilidade. não é uma explosão no encontro, como antes
quando ficava sem sono antes de terminar as sombras,
antes de terminá-lo todo, agora só é lembrança: resto de habilidade
misturada com uma nostalgia e algumas músicas soltas
pelo corredor. ela gosta da mesa torta e eu dispenso algumas
tranquilidades enquanto chove mais um pouco. tão devagar,
tão devagar, tão devagar pra me arrepender em algumas
horas e já não poder agarrar um travesseiro.

domingo, 9 de agosto de 2009

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fica tudo assim, como se eu tivesse fazendo a merda sozinho.
ninguém comenta sobre a parte dos outros, como se a tentação
estivesse aqui e quem, deliberadamente sai à procura dela,
pela simples condição de não fazer parte daquele mundo, fica
de fora das opiniões por simplesmente não ser aquilo: apenas
querem seus minutos de participação, de satisfação egoísta.
to cagando pra esses comentários, olhares ou opiniões, também
tenho minhas satisfações clandestinas sem entregar toda a
tigela do meu açucar. e o que deixa o café amargo é ver que tudo
tem sempre mais parte dos outros e. fica tudo assim, como se
eu tivesse fazendo a merda sozinho. e o que estufa o estômago
é ver que os créditos nunca são meus, mesmo que -fique surpreso!-
tenha feito as coisas da maneira correta. a chuva pára. dormir logo
por causa de horário de almoço do dia dos pais. garagalhando aqui:
o almoço só tem avô e uma obrigação sacana de ligações hipócritas.
a noite segue tendências. uma música repetida que gosto tanto:

" sunday morning, we'll soon be out on the boulevards.../
...
i'm all about you, you're all about me, we're all about each other/
you don't have to tell, 'cause I know so well what we are all after..."

Paris 2004, Peter Bjorn and John








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você já amou um remédio, Márcio? hein, já amou o efeito de um remédio?

Camila Lopes

sábado, 8 de agosto de 2009

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eu sabia que aconteceria novamente, certo? certo. não me

sinto mais à vontade pra contrariar essas nossas conversas
de sábado. eu sabia que aconteceria novamente e, mesmo
não pensando nisso tudo, fico olhando pra mesa, pra moeda,
pro livro que tento ler com sacrificio; mas esse silêncio novo não
enlouquece, parece tão normal, não sei, dá a sensação de que
tenta me ensinar alguma coisa. essa coisa insiste em ensinar e
eu insisto em observar e querer outras coisas, querer que esse
silêncio me irrite, querer me levantar e não aceitar, quebrar
todas as notas, todas os pratos, todos vocês. não faz diferença
programar ou não os horários das refeições:no fim tudo vira.
você sabe bem. sinto falta das minhas mãos que prometiam,
quando o sol me era estranho e a chuva me trazia palavras.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

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não, hoje não. acho que nem amanhã. lembrei que passei da
fase de organizar meu tempo de acordo com os teus
tempinhos. continue me ligando com voltinhas e continuarei
comendo com música. tenho todas essas páginas pra mastigar,
sentir o gosto, a textura, mas não engolir.
tenho todas essas horas pra enrolar com você e não dormir

com você

sempre me rendo, mesmo sentindo que o dinheiro esta acabando.
sempre termino, mesmo sabendo que não podia ter vindo; e
esse poder é pura invenção da minha tentativa de ser só assim.
de não querer ir mais. ser menos. fazer outro. de ser assim só.


botei na balança, você não pesou.
botei na peneira e você não passou.

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estou aqui, sim. fiz quase todas as coisas que me pediram, passei

em todos os lugares, dividi todos os pedaços, fingi não ver todas
as pessoas que não queria ver e ainda não peguei no sono. ou o
sono não me pegou. um belo dia VOU resolver mudar e arranjar
uma vida vulgar, haha. essas músicas não me agradam mais,
nenhuma delas. vão repetindo sem parar; canto todas elas até a
metade, quando
lembro que não me agradam mais, então vou
trocando. isso significa que
acostumamos tanto com as coisas que
não gostamos mais, que esquecemos que já não gostamos delas,
certo?

vejo
escudos amarelos na parede: imagino-os nos muros, postes,
jornais,
espalhados pela cidade como propaganda barata de produto
inútil que
todos querem desesperadamente comprar; mas eu acordo
e digo que não estão à venda e a propaganda continua lá. faz tanto
sentido pra mim... e mesmo assim, insisto em dizer que não me
entendo,quando obviamente só eu mesmo posso compreender
essas palavrasque se atropelam, como a dispersão de uma onda sobre
a outra,
quebrando sem se acabar.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

gi,


não sou bom em expressar o que se passa aqui dentro. as

pessoas devem achar que sou nada, que sou vulto, presença,
fumaça perto das janelas, platéia sem som. o primeiro poema
feito pra mim, ah, lindo lindo! pode até ser os teus votos no
casamento em Las Vegas, hahaha. foi tão bom te
reencontrar:
no momento certo. estamos melhores do que já fomos,
mas com
aqueles mesmos pontos claros de dor boa na alma. na medida da

minha gaveta: contigo eu posso ser sem me antecipar, me
sinto entendido sem precisar te entregar nada além dos
olhares e sorrisos que trocamos. tu me dá essa sensação tri
boa de pessoa
querida na minha vida, me fazendo bem.
bjos, batatas fritas assassinas e cervejas pro casamento, rs.

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caí da escada e rolei três andares abaixo: não passei. tinha

tanta certeza que seria aprovado, que foi complicado me
acalmar e não responder 'obrigado por NADA' pro examinador
quando ele falou lenta e sinistramente com voz de quem está
atrás do ventilador 'infelizmente você reprovou'. claro, não
adianta bosta nenhuma eu ficar pensando demais, mas é incontrolável.
pensamentos são invasores, parasitas. não é o fim. fecho os olhos
e lembro, mas não é o fim. hoje já ouvi Chelsea Girls 917349847
vezes e não quero dormir. vou fazer de novo. pra quê eu preciso
disso, pra quê?

[e pela minha lei, a gente é obrigado a ser feliz] -Chico Buarque
ficar em pé na porta e sentir o vento logo depois de acordar
traz uma sensação tão boa por alguns segundos, que é possível
esquecer de tudo tudo tudo, ou quase tudo. logo os olhos ardem,
não tenho pernas e as costas querem ir ao chão, mas não tem
jeito: a gente é obrigado a continuar, mesmo que não se sinta
feliz. o dia todo pela frente, falo assim, como se os meus dias
parecessem dias, como se minhas cinco horas não parecessem
dez e como se realizar as vontades de agora eliminassem as que
virão em seguida. queria ser cativante, ter menos silêncio na
face e uma altivez inexistente em meu corpo. mas ah, é assim:
ossos, campos, contas e planos que se dissolvem até o fim do dia.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

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eu sou a noite de hoje.
e meus pensamentos só ficam no amanhã. me exclui dessa
putaria, guarde o amor, a paixão e enfie no seu cú. fugindo já já.

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dois pesos: duas medidas. era um atrás do outro, cada
segundo me carregando pra escuridão de um sono inquieto.
não estava dormindo nem lembrava de respirar.
quem é você? quem é VOCÊ? o telefone toca.
[oi]
(oi)
[te acordei?]
(sim)
[humm]
(me acordou)
[foi mal, que ta fazendo?]
(dormindo! tava, né...)
[quer sair?]
(oi?)
[quer sair c-o-m-i-g-o?]
(agora?)
[é]
(vamos onde?)
[pro meu mundo.]
(só vou se teu mundo tiver cama e aquecedor)
[meu mundo tem sexo]
(em 15 minutos)


flertamos loucamente pela segunda vez em uma semana.
vinho, miró, cartas, um beijo quando estou pensando em
ir embora. não solta a minha mão. não agora, finjo tudo
até amanhecer, como se tivesse dormindo a noite inteira.
lavo tua louça e organizo meu caos. tenho 3 dias inteiros e
o medo de não ter confiança por não ter certeza. fim de noite
em apartamento frio e desconhecido. sem dor, sem pensar:

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estou sem pernas hoje. saldo negativo, sem socorro,
tantas coisas e nenhuma droga que possa resolver
todas. tinha uma calça dentro da outra como quem
usa duas camisetas, engraçado. estou sem pernas
hoje, sem comprimidos, sem sono e com muita vontade
de dormir. eu preciso dormir. eu preciso passar, preciso
ter pernas amanhã e passar nessa merda.

domingo, 2 de agosto de 2009

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odeio essas perguntas prontas que me lembram como
as coisas não estão como imaginava que
estariam.
certo que não. gosto dos jogos, desses
detritos no fim
da noite, assim, logo antes de dormir
sentir tudo que
ainda estará ali quando acordar. as vezes
sinto ter certeza
de que conseguiria continuar por mim
mesmo, assim, sem
a ajuda de ninguém mais. mas a noite
vai indo agora sem
tuas tramas e exageros e, de certa forma,
sinto falta de
tudo isso. misturo tudo o que penso e já
não sei o que é
prioridade, não sei se dou meu nome ou
se apenas espero
cantando e vendo o tempo passar.

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continuo ouvindo Everybody Hurts ou assisto Altas Horas?















morri.

me socorre, Bukowski.

acho que nem faço valer minhas cicatrizes. olho e vejo a beleza
que já foi indo, que correu duas quadras e cinco ligações depois.
seis andares abaixo e sem açucar, a noite não é minha hoje. há
tempos não sinto ter alguma coisa. acordo sem as pernas e é dificil
continuar dormindo ou conseguir levantar. a chuva parou e as
desculpas pra ficar em casa se foram. me rendi. desisti desse hoje
e agora não queria mais estar em casa: parece tarde.
os comprimidos acabam comigo.
seis quadras, dois andares, sem identidade e sem minha marca de
cigarros. canso, quero, me arrumo e desisto. quero uma sala mais
vazia e ninguém no quarto ao lado. estou no lugar dele agora: sete
meses atrás. porra! oito meses já, acho. entendo. sábado de merda.
queria pedir socorro e alguém me socorreu, mas merda, afundei no
meu vazio novamente. quando as coisas não deviam ser, começo a
relembrar tudo isso justamente num sábado que tanto reclamo não
ter sido e me deixo atingir. tem certeza que deseja apagá-lo? SIM.
é simbólico, sei, mas precisava fazer alguma coisa. preciso beber
alguma coisa pra deixar de sentir o teclado e as pessoas do quarto
ao lado. preciso que alguém me reescreva e desconfio que posso sair
correndo pela noite agora que a chuva parou. tenho certeza que te
apagar não foi nada. que não fomos nada e que em algum momento eu
soube pra onde estava indo. com liberdade, reescreva.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

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ela diz que as coisas que podemos fazer estão aqui.fala sobre
cores e que me ensinará a cantar, mas desisto com essa cara
amassada no espelho depois de dormir a tarde toda novamente.
procuro incessantemente por músicas novas, tentando preencher
alguma coisa, essas músicas de sempre já não ajudam mais. é,
conversamos sobre as coisas e não tenho certeza de como tudo
foi acontecendo. concluimos juntos que devemos fazer tudo o mais
rapidamente e que agora, com quase 20 anos, perceber que o tempo
corre e que tudo o que queria ter feito ainda está nos meus planos
pra logo(rápido rápido) mas que a idade -provavelmente- não os
acompanharão.ter 30 anos e só ter feito as coisas que era possível
fazer? nãão: MEDO.e novamente esperar um semestre, e no final
dele talvez ser possívelfazer alguma coisa por mim mesmo ou agora,
com a coragem que aindanão tenho, pegar minhas mochilas, largar
tudo e ver que não era bema assim. whatever, espero mais um pouco,
até não ter dúvida.





chega de verdad é o que a mulher diz, tô tão infeliz,
um crucificado deitado ao lado, os nervos tremem
no chão do quarto por onde o semên se espalhou
Lobão tem Razão, Caetano Veloso.

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algumas coisas salvam o dia quando a noite chega,
mas não consigo salvar essas tardes irritantes.
quero tanto dormir e isso me chateia tanto que não
consigo aproveitá-las acordado.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

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e no fim da conversa ele diz "não vai dar certo". respondo com
um "umhum" e lembro de Aline Moraes caminhando na rua de
baby doll fumando um black. fico rindo assim, levanto e peço meu
'Carioca-Chico Buarque' de volta e ele não sabe onde está.
ele n-ã-o-s-a-b-e onde! claro, eu poderia brigar por um cd, gritar
e jogar um copo na parede, o que é ligeiramente excitante e que
provavelmente acenderia alguma coisa e talvez até acabaria com
aquele "não vai dar certo"; mas fico calmo, f-i-c-o-c-a-l-m-o e troco
de música. de Nico -que deprime- vamos à Strokes e Bauhaus. não
brigar não resolve nada: sempre chega a hora, e o almoço quer voltar,
eu quero dormir. volto pra casa e tudo isso despejado sobre a cama.

não quero casa, não quero ter lugar. queria um vazio na rua, mas passou.

domingo, 26 de julho de 2009

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a vida é tão feita, aqui e agora. e a gente é tão

largo querendo diferença e borrões de tinta. é
dificil sentir que este é o momento ou que todo
o restante da noite não precisa ter fim. o qeu
parece não ser preenchido é terrivel de viver,
mas é tudo o que acontece, nada está vazio,
apenas a sensação. e como se enche a sensação?
provavelmente a resposta seja a chave, o tal de 'O Segredo'.
acho que a espera é válida quando não se espera
sentado, então, vou reecontrando amigos
bons, vendo o que passa e dormindo na casa
de alguém quando queria meu próprio travesseiro;
mas isso são os borrões: pintar sua própria parede
com a cor que preencha (ou não) todas as sensações.

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e daí que ta frio. e daí que não dá vontade de fazer nada.
e daí que depois de tantos dias e de tantos assuntos nem
sei o que quero dizer. e daí que o sono não vem, o cigarro
não basta e as músicas não se encaixam.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

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e todos os anseios devorados com uma colher. entender
os outros é tão difícil quando evitar esta última mentira,
sabe? todo o mundo diz, todo o mundo pensa e todo o
mundo jamais pára de desviar os caminhos pra verdade.
me arrependo pelas colheradas, mas já foi. tenho a tarde
toda. ter a tarde toda pela frente sempre me assusta já que
parece grande demais pra suportar; estranho, pois a noite
é maior, mas nunca insuportável. mesmo que dolorosa, ela
sempre traz a possibilidade de algum conforto, qualquer um:
o sono é menos culposo, a vontade das mãos é livre e
a escuridão abstraindo os pensamentos sobre continuidade,
futuro e todas essas coisas que tornam o tempo insuportável.
talvez esse pensar demais estrague tudo. ou talvez salve o
que venho a achar digno em mim, não sei. toda a preocupação
deve fazer parte de tudo o que sou em qualquer região dos meus
pensamentos. tanto faz, ainda a tarde inteira, ainda a
saciedadeque chateia, ainda as marcas das sensações altas.